domingo, 4 de julho de 2021

Há tanto tempo...

 Olá,

Pois é, já faz um bom tempo que não dou notícias. A vida de mamã não me deixa muito tempo para cá vir e confesso que às vezes estou tão cansada que me esqueço do blog. 

A minha filha, que sempre dormia 5/6 horas seguidas, agora não o faz. Desde os 4 meses, começou a dormir sonos de 3horas e acorda para mamar. Isto torna-se muito cansativo, que não durmo mais que 3horas seguidas. 


Esta noite, foi ainda mais complicado. Sempre que a punha na caminha dela, ela acordava e não sossegava. Só sossegou quando a pusemos no nosso meio na cama. Acho que ela deveria ter frio ou assim, sei lá.

Mas é um riqueza muito grande! O sorriso dela, as gargalhadas... São uma alegria e um amor tão grande ❤️


Fora isso, fui dispensada da empresa onde trabalhava. Ainda estava a contrato, apesar de já lá estar à 5 anos (ao fim de 3anos passei para outra empresa do grupo). Sim, é possível dispensarem quem está a contrato e está de licença de maternidade... É a proteção que temos. Depois admiram-se dos jovens não terem filhos cedo. Sempre tive medo que me acontecesse... Engravidei, porque queria muito ter filhos e não queria esperar mais. Arrisquei, fiquei desempregada. Na empresa, disseram-me que tinha a ver com a actual conjuntura, que o trabalho ainda diminuiu mais depois do 2° confinamento e que estavam em layoff sempre uma semana por mês, porque não aguentavam. Tinham que dispensar, calhou-me a mim.


Confesso que quando soube fiquei super deprimida, com as hormonas de mãe todas lixadas. Depois o meu marido animou-me, dizendo que iria encontrar melhor e a ganhar melhor, que não seria difícil. A verdade é que depois de uma noite de sono, as coisas ficaram mais claras e o único pensamento é "fecha-se uma porta, abre-se uma janela".

Já comecei a mandar currículos e acho que esta é aquela parte mais deprimente. Envia-se currículos e respostas... De grilo! Nem um "recepcionámos o seu CV", nada! Quando acabei o curso, tive uns meses à procura de emprego e isto e ir a entrevistas e nunca termos qualquer feedback, é do mais deprimente e da maior falta de reconsideração pelas pessoas.

Enfim... Resta-me continuar nesta luta! E aproveitar para passar mais tempo com minha filha.


By Lum


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domingo, 30 de maio de 2021

terça-feira, 11 de maio de 2021

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Ser mãe - Os primeiros 3 meses

 Olá,

Sim, já passaram 3 meses desde de que a piolha nasceu e tem sido espectacular. Claro que não são sempre rosas, mas o amor é tão grande e inexplicável... 


 Recuperação do Parto
Ainda no hospital, tendo sido parto cesariana, o pós operatório foi um pouco doloroso, como de resto já se sabia. No dia em que regressei a casa, ainda me custava muito estar de pé muito tempo ou caminhar muito tempo, levantar-me, sentaar-me, etc. Durante uns 15 dias foi assim, e o meu marido e os meus pais foram o meu grande pilar. Nem tomar banho conseguia sozinha nos primeiros dias, porque não conseguia lavar as pernas e pés. Mas depois foi melhorando. 
Nos primeiros dias, tinha as pernas super hiper mega inchadas, mas ao fim de duas semanas, passou. Assim como o inchaço das mãos (ao fim de quase 5meses, consegui pôr a aliança no dedo de novo).
Actualmente, faço a minha vida normal, não faço exercício físico, mas faço caminhadas para ajudar. 
Não tenho dores na zona da cesariana, apenas quando toco com mais força é que dói. 
O meu peso, logo depois do parto foi ao normal. Sou uma sortuda nesse aspecto! A barriga ao início estava muito inchada, mas já voltou ao normal. Só ainda não desapareceu aquela linha escura da gravidez e noto que a pele está assim mais flácida. Os cremes anti estrias tem sido uns aliados.


Amamentar
Ao início foi complicado. Não tinha grande leite, e a menina não acordava para mamar. Tínhamos que tocar-lhe, tirar-lhe a roupa, etc para ela mamar. Isso custava-me imenso!
Na segunda noite após o parto, estava eu no hospital, acordei a tremer, mas uns tremores que não conseguia controlar. Chamei pelo meu marido que estava a dormir, e ele ficou assustado, eu não tinha febre nem nada, mas não parava de tremer. Chamou-se as enfermeiras que apareceram logo. Trouxeram-me um cobertor. Mas os tremores, como apareceram, foram embora. As enfermeiras mediram a temperatura e a tensão e estava tudo bem. Quando fui a amamentar já tinha leite. A médica disse que poderá ter sido hormonal e terá sido a subida (ou descida, nem sei) do leite.
No entanto tinha os mamilos muito doridos. E como ela não pegava, as enfermeiras tinham que expremer um pouco para sair um pouco de leite e ela pegar.
Quando vim para casa, ela começou a pegar no peito sem stress e a mamar normalmente. Neste início, tinha uma dor muito idêntica a vidrinhos a sair pelo mamilo, mas depois melhorava.
Atualmente, ao fim de 3 meses, não dói absolutamente nada e quando o peito fica muito cheio, até alivia quando ela mama. Dói-me os mamilos durante o dia porque ela mama de hora a hora, às vezes até menos que isso.
No entanto, na consulta no pediatra dos 3 meses, ele verificou que ela não estava a aumentar assim tanto de peso. Baixou no percentil. Por essa razão, o pediatra mandou dar o peito e se ela não ficar satisfeita, dar-lhe o suplemento para que ela não mame de hora a hora e comece a ganhar um pouco mais de peso. Eu adoro amamentar, mas realmente durante o dia é difícil conseguir fazer algo, porque ela pede mama de hora a hora. Vamos a ver como vai correr.



As noites
Devo dizer que nisto sou uma sortuda! A minha bebé desde de início que dorme bem durante a noite. No início acordava de 3h em 3h, mas depois do fazer um mês começava a dormir 4h seguidas e agora dorme sempre de 5h a 6h seguidas. E não chora nada quando acorda, eu meto-a no peito e ela adormece após mamar. Meto no berço e está. Como já disse, sou uma sortuda!



 Os banhos
Ela desde de início que gosta do banho. Somos sempre super rápidos e temos sempre a divisão onde toma banho numa temperatura agradável. Ela ri-se imenso no banho, só não gosta é quando a vestimos (arma sempre berreiro). Somos sempre nós os dois, pai e mãe, a dar-lhe banho. Ela desenvolveu uma crosta láctea na cabeça e está a perder o cabelito com que nasceu. A crosta tem lhe dado comichão e ela acaba por se arranhar toda, por mais que tenha as unhas cortadas. Já vai para 1 mês que colocamos óleo de amêndoas doces na cabeça, uns minutos antes do banho, ela melhorou, mas aquilo não passou.  Na última consulta do pediatra, falamos e ele receitou um champô próprio e a verdade é que começou logo a sair na primeira vez que usamos.
Ela com 3 meses, já dá às pernas e molha tudo à volta. E convém dizer que a banheira está a ficar pequena para ela. Eheheh


Os choros
Ao início, a minha filha não chorava assim muito. Começou quando começamos a dar vigantol quando ela tinha um mês, e nos dias que tomava a miuda chorava, gritava e não conseguia fazer coco. Um dia esqueci-me de lhe dar e ela teve um dia normal. Voltei a dar e voltou ao mesmo. Decidi deixar de lhe dar mesmo e liguei para o pediatra. Ela disse para dar a da NanCare e a partir daí, tudo bem. 
Foi a partir dos 2 meses que começou a complicar. Tudo começou quando demos as vacinas, em que ela berrou tanto que eu quase chorei com ela. Só se calou, quando a pus no peito. No dia a seguir, estava agitada, chorava e tinha temperatura mais alta, embora não fosse considerada febre. Foi assim durante dois dias, até que lhe demos o benuron. Nesse dia, ela chorou incessantemente durante 4horas. Eu, desesperada, chorei agarrada a ela. Após tomar a segunda vez o benuron, ela acalmou e finalmente conseguiu dormir. 
Depois disso, durante uma semana, sempre depois das 22h chorava imenso. Ao início não sabíamos o que fazer e eu cheguei a chorar com ela, porque me sentia impotente. Entretanto, comecei a embalar e cantar para ela e ela acalmava e adormecia. 
Então começou a fazer o berreiro mais cedo, por volta das 20h. O que decidimos fazer e proporcionar sempre uma boa sesta durante a tarde e deixar a luz reduzida onde ela está quando começa a anoitecer. Normalmente, por volta das 21h30 vou para o quarto com ela. Canto para ela e amamento e ela adormece sem choro.
Temos feito sempre assim e tem resultado.
Claro que ela chora noutras ocasiões, às vezes são algumas cólicas, outras é porque está tola com o sono e não consegue dormir, etc. Mas já me sinto mais confiante para a ajudar nessa hora e esperemos que continue assim. 



Eu como mãe

Ser mãe é fantástico! É ganhar um amor incondicional pelo ser que carregamos durante 9 meses. Eu adoro este novo papel.

Já me senti desesperada, quando ela chorava? Sim, já.

Se o meu marido ajudou nesses momentos? Sim, muito.

Ter um filho muda tudo. Por exemplo, deixei de ter uma hora certa para comer. Como quando ela "me deixa". Tomar banho é quase sempre a correr, embora seja o pai ou a avó que fique com ela quando vou tomar banho ou assim, corre sempre bem.

Passa tudo a ser secundário. As lides da casa começam a ficar complicadas de fazer. Ao início tinha que ser o marido, que eu não conseguia mesmo. Agora, a minha mãe, como não trabalha à sexta à tarde, vem para cá e fica com ela enquanto eu arrumo. Só assim consigo! 

As refeições são, geralmente, ou feitas pelo meu marido ou pela minha mãe.

No meio disto tudo, apesar de tudo ter mudado, sou uma sortuda por ter um apoio tão grande.

Ah, e o gatinho... O gato surpreendeu-nos! Apesar de não se chegar muito à beira da menina, está sempre atento. Quando ela chora, ele põe-se logo de volta dela e começa a miar, como que a chamar-nos. A única coisa é que por mais que queiramos, a atenção que lhe davamos não é igual, então ele anda mais carente. Mas nada que uns miminhos não resolvam. Espero que se dêem bem quando ela crescer mais um pouco!


By Lum

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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Catarina, a Grande, de Silvia Miguens


"Em 1762, o czar Pedro III é alvo de uma conspiração, acabando por morrer. A sua mulher, Catarina, sucede-lhe como imperatriz tornando-se, aos trinta e três anos, «Sua Majestade, Catarina II, imperatriz única e soberana de todas as Rússias».

O seu reinado revitalizou a Rússia, transformando-a numa das maiores potências europeias. Os seus sucessos dentro da complexa política externa são sobejamente conhecidos assim como as represálias, por vezes violentas, aos movimentos revolucionários. Conferiu maior poder à nobreza e aos senhores da terra, constituindo o seu reinado o ponto alto da aristocracia russa. Poucas mulheres geraram tanta controvérsia em redor de si como Catarina, a Grande. Inteligente, culta, autoritária, sagaz, apaixonada, grande estratega e envolta em todos os tipos de conspirações da corte, a imperatriz que governou a Rússia com punho de ferro é, sem dúvida, um dos principais intervenientes na agitação política do século XVIII, que mudou a História do Mundo.

Esta emocionante narrativa, que não deixa de fora o rigor histórico, revela as vivências e a intriga palaciana e pessoal da grande imperatriz, a sua peculiar e intensa vida sexual, os seus medos, as suas deficiências e os seus fracassos."

Não conhecia a autora e pouco conhecia sobre a vida de Catarina, a Grande. A única coisa que sabia, foi da série The Great e sabia que a maior parte era ficção.
Este livro conta a vida de Catarina desde da sua infância. Não nasceu russa e só assumiu o nome de Catarina após conversão à igreja ortodoxa. Desde de jovem que foi motivada a ler e a estudar. Tinha uma relação demasiado próxima com o seu tio mais novo. Desde cedo descobriu a sexualidade. 
Casou com Czar Pedro III, após um golpe que o colocou no poder. Mas Pedro não era nem bonito nem tinha uma personalidade interessante. Catarina nunca gostou do marido, e teve alguns amantes ainda durante a vida de Pedro. De facto, ainda hoje surgem dúvidas sobre a paternidade do seu filho e herdeiro, Paulo. No entanto, ele foi criado como filho do czare separado de Catarina ainda em bebé, o que prejudicou e muito a sua relação com ele mais tarde. Teve mais filhos, todos de diferentes amantes que teve durante a sua vida. Também ela protagonizou o golpe de estado que derrubou o seu marido e a tornou na mulher mais poderosa da Rússia.
Era extremamente inteligente, o que por vezes causava mau estar entre os seus ministros. Sempre com mão firme, trouxe a vacinação, a arte e estudos para a Rússia.
Foi sem dúvida uma mulher muito à frente no seu tempo.
Recomendo a leitura do livro!

By Lum


 

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domingo, 18 de abril de 2021

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Tordesilhas - A cidade do Tratado entre Portugal e Espanha

 Olá,

Mais uma passeio que dei antes do Covid, e que valeu mesmo a pena: Tordesilhas.

Tordesilhas é uma cidade na província de Valladolid, na comunidade autónoma de Castela e Leão. É conhecida por ter sido o local onde foi assinado entre o reino de Portugal e o recém-formado reino de Espanha, o famoso Tratado de Tordesilhas que estabelecia a divisão das terras descobertas no futuro por ambos os reinos. Também é conhecida por ter sido aqui que a rainha Joana, a Louca esteve encarcerada.

Pintura de rua alusiva ao Tratado de Tordesilhas

O que visitar

- Real Monasterio de Santa Clara

Devo dizer que adorei visitar o mosteiro onde Joana, a Louca viveu enclausurada. Tivemos que esperar meia horita, porque as visitas são guiadas e estavam a finalizar uma. Estas visitas guiadas são feitas em Espanhol e Inglês. Mas adorei!

Exterior do Mosteiro de Santa Clara

Este mosteiro é composto por um complexo de dependências em que se encontram a ala das monjas clarissas e as estâncias do antigo palácio, além das casas de banho árabes. O Palácio tem origem mudéjar, mandado construir pelo rei Afonso XI em 1340, em comemoração da Batalha do Salado. 

Exterior do Mosteiro de Santa Clara

Serviu de residência a Leonor de Gusmão, favorita de Afonso XI. Posteriormente, o seu filho, Pedro I, alojou a sua favorita María de Padilla e mais tarde, cedeu-o à sua filha Beatriz, no ano de 1363, para que o convertesse num convento. 

Interior do Mosteiro - zona dos arcos árabes

Para a construção vieram artistas de Toledo, dando como resultado um palácio com amplas entrâncias em torno de um pátio.
Em 1363, o palácio adaptou-se às necessidades do mosteiro, alterando a sua estrutura. 
Infelizmente não nos é permitido tirar fotografias, uma vez que ainda vivem monjas clarissas em total isolamento. Durante a visita vimos várias salas, inclusive o refeitório das monjas e a Capela dos Saldanha. Visitamos o local onde esteve depositado o corpo de Filipe I, o Belo, marido de Joana, a Louca, antes de ser transladado para Granada. Situado fora do mosteiro, pudemos visitar os Banhos Árabes.

- Museo del Tratado de Tordesillas

Museu do Tratado de Tordesilhas

Infelizmente, apesar de entrada gratuita, não conseguimos visitar o Museu, por causa daqueles horários de caca espanhóis.
No entanto, neste momento é possível fazer uma visita online, uma vez que se encontra encerrado em tempos de covid.
Fica localizado nas casas do tratado, um dos edifícios nobres do século XV de Tordesilhas. Foi o lugar escolhido pelos representantes de Castela e Portugal para realizar as negociações do Tratado.

Edifício do Museu do Tratado de Tordesilhas

O museu tem três espaços diferentes, começando pelo conhecimento mais primitivo da cartografia do mundo antes do tratado, seguindo para a ideia que o Cristóvão Colombo tinha do mundo e que o levou a aventurar-se pelo oceano Atlântico.
Na última parte da visita, temos o mundo "depois do tratado".
O museu tem vários sistemas multimédia, audiovisuais e interativos, traduzido em diferentes idiomas, para que a informação seja acessível a todos os visitantes.

- Igreja de Santa Maria

Igreja de Santa Maria

A Igreja foi construída entre os séculos XVI, XVII e XVIII com padrões góticos e evolução classicista. Não conseguimos entrar, mas no seu interior existe um retábulo barroco no presbitério e o órgão do século XVII.

- Plaza Mayor de Tordesillas

Plaza Mayor

Mais uma vez, a Plaza Mayor é uma zona de puro convívio, cheio de restaurantes, esplanadas e lojas. Acabamos por almoçar por aqui a um preço bastante aceitável e a comida era bastante boa.


- Museu de Arte Sacro San Antolin

Museu de Arte Sacro San Antolin

O Museu de Arte Sacra de San Antolín está instalado na antiga igreja e paróquia de San Antolín. O museu foi inaugurado em 1969, tendo inicialmente uma montagem muito provisória. Na data em que se festejou o V centenário do Tratado de Tordesilhas sofreu uma melhoria das instalações e restauro e conservação das suas peças.

- Monumento a Reina Juana I de Castilla

Monumento à rainha Joana, a Louca

Junto ao Museu do Tratado de Tordesilhas, encontramos um monumento à rainha Joana I de Castela, conhecida como a Louca.

Como Chegar

Do Porto - Seguir pela A20 até entrar na A4 em direção a Vila Real/Valongo/Ermesinde, sair na saída 46 para M523 em direção a Quintanilha, seguir pela N-122 para a E-82/A-11 em Castilla y León, España em direção a Tordesilhas.

De Lisboa -  Seguir pela A1,  até à saída em direção a Abrantes/C.lo Branco/T.res Novas para a A23, até convergir com a A25 para Vilar Formoso e seguir pela N332, passar a fronteira e seguir pela A-62 até à saída 156 para convergir com N-122/E-82 em direção a Tordesillas/A-11/Zamora.

By Lum


 


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domingo, 28 de março de 2021

A Maldição de Afonso II, de Maria Antonieta Costa


" Portugal, inícios do século XIII. O neto de D. Afonso Henriques, Afonso II, é coroado rei. Ao longo de um curto e duro reinado, enfrenta uma maldição, o adultério da rainha, a traição dos irmãos e a excomunhão como corolário da luta contra os abusos do poder espiritual. Para a história ficou o seu aspecto corpulento e a conquista de Alcácer do Sal. Mas quem era este monarca e qual foi o seu legado?

A Maldição de Afonso II é um romance histórico revelador sobre um rei esquecido pela História, mas cujas conquistas nos planos legislativo e administrativo ajudaram a consolidar a nação.

Prisioneiro do legado dos antecessores, Afonso II emerge como um moderno arquiteto do poder político.

Neto de D. Afonso Henriques e filho de D. Sancho I, Afonso II teve um reinado curto e conturbado. Depois dos reis guerreiros, a governação de Afonso II, fisicamente limitado, foi quase apagada da História. No entanto, promoveu as primeiras Leis Gerais do reino e introduziu mecanismos de centralização do poder, lutando contra os interesses da igreja e da nobreza.

Cruzando factos históricos e ficção, A maldição de Afonso II dá vida à figura obscura do terceiro rei de Portugal, que reinou desde 1211 até à sua morte em 1223. Numa época em que as fronteiras de Portugal estão quase definidas, e devido às limitações impostas por uma doença maldita, Afonso II dedica-se à administração do reino.

Escondendo da nação, da corte e até da rainha a sua terrível condição, o rei vai afirmando os seus dotes de legislador. Mas as intrigas políticas e religiosas sucedem-se e Afonso II acabará por morrer excomungado pelo Papa.

Afinal, qual foi a importância do reinado de D. Afonso II? Que segredos permanecem por desvendar? Qual o verdadeiro carácter do rei? Partindo das principais fontes históricas, este romance projeta uma nova imagem do monarca, destacando um carácter simultaneamente sensível e feroz, o invulgar talento como legislador, trazendo ainda à superfície aquela que poderá ter sido a única e verdadeira limitação do rei: a lepra, o estigma maldito, deliberadamente oculto ao longo dos séculos."


É o segundo livro que leio desta autora, sendo que o primeiro D. Sancho I - O Herdeiro do Reino acabou por me desiludir um pouco, uma vez que o título não tinha bem a ver com o conteúdo do livro. Já este sim, é sobre D. Afonso II e a sua vida. O livro inicia no seu nascimento e vai até à sua morte. Conhecido pelo cognome "o Gordo" ou "o Gafo", D. Afonso foi um rei mais diplomático que guerreiro. Criou as primeiras leis gerais do Reino, tentando diminuir o excesso de poder da nobreza e clero. Com isto foi excomungado pelo papa. Casou com D. Urraca de Castela. Diz-se que sofria de lepra, pelo que a autora explorou ao máximo esta hipótese. Apesar de a autora tentar manter os factos reais, acabou por entrar na parte da ficção, o que me parece normal, uma vez que não há muita informação sobre esta altura. No entanto, gostei imenso do enredo que a autora deu aos personagens. Recomendo!


By Lum




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terça-feira, 23 de março de 2021

segunda-feira, 15 de março de 2021

Medina Del Campo - Na rota da História de Castela, Espanha

 Olá,

Cá temos mais um post de viagens que fiz antes de tempos de Covid. Desta vez, dou-vos a conhecer Medina Del Campo. Situada na província de Valladolid, Medina Del Campo é uma vila de origem pré-românica. 

O que visitar

- Castelo de la Mota

No seu nome, "Mota" (elevação no terreno) foi sempre um lugar privilegiado. A elevação na planície facilitou muito a defesa e proteção. "Medina" tem origem na pré-história, mais precisamente na Idade do Ferro. Entretanto com o tempo foi perdendo população, acabando abandonado. 

Castelo de la Mota

Existem muitas lendas sobre a origem do castelo, mas o mais provável é ter tido várias transformações, nomeadamente nos reinados do rei João II de Castela, do seu filho Enrique IV que construíram o recinto interior à fortaleza e à Torre de Menagem, e os Reis Católicos que mandaram construir a barreira defensiva, tornando-se um dos melhores parques de artilharia da Europa.

O Castelo tem visita livre ao Pátio de Armas, a capela e sala "Juan de la Cosa". Tem depois vários tipos de visita: a geral (sem visita à torre) que inclui as jazigas arqueológicas, parte exterior do Castelo, galerias subterrâneas, Pátio das armas e capela, sendo a visita guiada; e ainda a visita guiada à torre de menagem que dura cerca de 50minutos. Também dispõem de visitas teatralizadas à Torre de Menagem, mas é necessária reserva prévia.

Como estava numa hora que não havia visitas, fizemos a visita gratuita.

Como já dito, o castelo tem um amplo Pátio de Armas onde se destaca uma porta trabalhada com um arco árabe e uma representação do encontro de Santa Ana e São Joaquim junto à Porta Dourada.

Pátio das Armas

Entrando por essa porta temos um mapa-mundo do ano de 1500, desenhado por Juan de la Cosa.

Capela do Castelo

A seguir a essa sala, temos a Capela do Castelo, dedicada a Santa Maria. No retábulo, é possível ver seis estatuetas douradas de santos espanhóis entre eles a Teresa de Jesus.


- Torre y Colegiata de San Antolín

Torre y Colegiata de San Antolín

Este edifício foi construído em 1177 e conta também com obras efetuadas pelos Reis Católicos, que ampliaram e a alteraram a nível arquitetónico no que se apresenta actualmente.


- Plaza Mayor de la Hispanidade

Plaza Mayor de la Hispanidade

A Plaza Mayor é um espaço amplo, onde encontramos imensos restaurantes, bares e lojas. Vale a pena conferir.

Plaza Mayor de la Hispanidade

- Palácio Real Testamentário e Estátua de Isabel, a Católica

Um pouco mais à frente da Plaza Mayor, encontra-se o Palácio Real Testamentário. Na sua frente temos uma estátua em homenagem a Isabel, a Católica. Foi aqui que redigiu o seu testamento em Outubro de 1504, morrendo pouco tempo depois. 

Estátua de Isabel, a Católica e fachada do Palácio Real Testamentário
 
O Palácio foi construído no século XIII e serviu de residência real, prisão e Câmara Municipal de Medina del Campo.

Este palácio foi o lugar mais frequentado pela rainha Isabel, de toda a Espanha. Aqui recebeu embaixadas, exerceu justiça e atendeu aos vários assuntos do reino. Foi também aqui, neste palácio que morreu no dia 26 de Novembro de 1504.

Representação do quarto onde Isabel, a Católica faleceu

Actualmente o Palácio alberga um centro de interpretação sobre a rainha Isabel, que inclui a representação fiel do quarto onde faleceu a rainha Isabel, onde nas suas paredes existem quadros, um deles pintado com a cena da sua morte.

Folhas do testamento de Isabel, a Católica

No museu encontramos vários objetos, incluindo o testamento de Isabel redigido neste mesmo palácio.

Como Chegar

Do Porto - Seguir pela A20 até entrar na A4 em direção a Vila Real/Valongo/Ermesinde, sair na saída 46 para M523 em direção a Quintanilha, seguir pela N-122 para a E-82/A-11 em Castilla y León, España em direção a Medina del Campo.

De Lisboa - Seguir pela A1,  até à saída em direção a Abrantes/C.lo Branco/T.res Novas para a A23, até convergir com a A25 para Vilar Formoso e seguir pela N322, passar a fronteira e seguir pela A-62 até à saída 184 para N-620 em direção a Alaejos e seguir instruções até Medina del Campo.

By Lum




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quinta-feira, 11 de março de 2021

A Imperatriz Romanov, de C. W. Gortner

 


"Uma mulher governa sempre.
Mesmo quando está nos bastidores do trono.

Um belíssimo romance, com vislumbres da história da Europa desde o final do século XIX até meados do século XX. Acompanhando a vida de Maria Feodorovna, a mãe do último czar da Rússia, viajamos dos opulentos palácios de São Petersburgo aos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. Desde a corte da Rainha Vitória até à ruralidade russa dominada pelos Bolcheviques.

Depois de Alix, a sua querida irmã mais velha, ter desposado um dos príncipes de Inglaterra, Minnie percebe que terá destino semelhante. Apesar da sua relutância, casa-se com Alexandre, o herdeiro do trono dos Romanov, ascendendo a imperatriz.

Com a morte do seu marido, o filho Nicolau torna-se czar da Rússia, e, com esse poder, chegam os conflitos. A mulher de Nicolau, fortemente influenciada por Rasputine, é apenas uma das ameaças que Minnie, agora Maria Feodorovna, tem de enfrentar para proteger o seu filho e o seu império.

Quando ecos da revolução começam a chegar ao palácio, a Imperatriz Romanov prepara-se para enfrentar o seu maior desafio."


C. W. Gortner está tornar-se um dos meus autores favoritos. Este foi outro livro dele que adorei. Conheço muito pouco da história da Rússia, e neste livro o autor remete-nos para a corte Romanov. Sei perfeitamente que, sendo um romance, há sempre ficção, tal como o próprio autor menciona no fim. Mas o essencial da história de Maria Feodorovna está no livro. Nascida princesa da Dinamarca, alterou o seu nome para Maria quando se converteu à igreja ortodoxa para casar com o, na altura, filho do Czar. Conseguiu integrar-se muito bem na corte Romanov e teve uma relação excelente com o seu marido. Com a morte deste, o seu filho Nicolau torna-se Czar, casando com uma princesa alemã, contra à vontade dos pais. E é aqui que os conflitos começam. A mulher de Nicolau não aceita os conselhos da sogra e começa a ligar-se a Rasputine, influenciando o marido nas decisões do império. Isto foi o início da queda dos Romanov. Apesar de Maria avisar o filho, ele nunca lhe deu ouvidos. 

Maria sofreu vários atentados durante o tempo que viveu na Rússia, mas tudo se tornou muito pior no reinado do filho, uma vez que o país se envolveu numa guerra com o Japão e a Prússia, morrendo milhares de russos. As revoltas foram enormes, havia muita fome. O autor consegue descrever tudo isto tão bem, que parece que estamos realmente a visualizar.

Mais um livro que recomendo vivamente!

By Lum



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segunda-feira, 8 de março de 2021

EPICA - The Skeleton Key (OFFICIAL MUSIC VIDEO)


Para acompanhar a estreia do seu álbum "Omega", Epica lançou um novo videoclip da música "The Skeleton Key". 

Gostei imenso desta música (de todas que eles lançaram videoclips, a que menos gostei foi a "Freedom - The Wolves Within"). 
Já comecei a ouvir o novo álbum, mas ainda não ouvi todo - isto com a bebé, não nos deixa com muito tempo livre. Até agora, estou a gostar do que ouvi =)



By Lum
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quinta-feira, 4 de março de 2021

Segóvia - Na Rota da história de Castela, Espanha

 Olá,

Em tempos de Covid, aqui vai mais um sitio a visitar quando tudo isto passar: Segóvia.

Segóvia é uma cidade cheia de história e monumentos lindíssimos, a começar pelo fabuloso Alcázar que faz lembrar os castelos de Disney. Situa-se na província de Segóvia, em Castela e Leão. A cidade é património mundial da UNESCO desde de 1985. 

Segóvia

O que visitar

- Alcázar de Segóvia

Mal chegamos a Segóvia, deparamo-nos com o belíssimo Alcázar no horizonte. É realmente de uma beleza enorme, parece mesmo um castelo da Disney.

Alcázar de Segóvia

A existência do Alcázar está documentada desde do início do século XII, sendo, durante toda a Idade Média, uma das moradas favoritas dos Reis de Castela. A ascensão ao trono da dinastia dos Trastâmara, foi para o alcázar um impulso em todas as áreas: arquitetura, institucional, política e simbólica. 

Vista lateral do Alcázar de Segóvia

Foi daqui que partiu Isabel, a católica a 13 de Dezembro de 1474 para ser proclamada rainha de Castela na Praça Maior de Segóvia. Também foi aqui que D. Filipe II celebrou o casamento com a sua quarta mulher, Ana de Áustria. Mandou fazer grandes reformas no paço, e fez cobrir telhados com agudos capitéis de ardósia, fazendo com que se parecesse com os castelos da Europa Central e não tanto com as fortalezas castelhanas.

Capitéis em ardósia do Alcázar de Segóvia

Após a instalação da corte em Madrid, o alcázar perdeu a sua condição de residência real, e passou a ser uma prisão estatal durante mais de dois séculos. Em 1764, o rei Carlos III fundou a Real Escola da Artilharia e instalou-a no alcázar, até que no dia 6 de Março de 1862 um incêndio destruiu os telhados e estragou a estrutura. A restauração começou em 1882, e em 1896, conclui-se os trabalhos de fábrica. Nesta data, o rei Afonso XIII e em seu nome, a rainha regente Maria Cristina, entregou o alcázar ao Ministério da Guerra com aplicação exclusivo ao Corpo de Artilharia.

Entrada no Alcázar de Segóvia

Em 1898 instalou-se o Arquivo Geral Militar na parte superior do prédio, onde ainda se encontra na actualidade. No ano 1951 criou-se o Padroado do Alcázar com a finalidade de atender à conservação do edifício. 
Existem várias salas lindíssimas que é possível visitar:

Começamos a visita pela Sala do Paço Velho, também conhecida como Sala dos Ajimeces porque tem janelas geminadas que deram luz ao palácio original. Está datada da época de Afonso X.

Sala do Paço Velho

Nesta sala tem em exibição as armaduras da rainha Isabel, a católica, assim como do seu cavalo.

Daqui passamos para a Sala da Chaminé, que corresponde à organização do Alcázar na data do rei Filipe II. Contém um mobiliário do século XVI em ótimo estado.

Sala da Chaminé

Na sala seguinte, temos a Sala do Trono feita durante o reinado dos Trastâmara, onde podemos ver o trono feito para a visita de Afonso XII e da rainha Vitória Eugénia para marcar o centenário de 2 de Maio de 1808.

Sala do Trono

De seguida, temos a Sala da Galé, que recebe o seu nome do antigo artesoado que tinha a forma de casco de barco invertido. A sala foi construída pela rainha Catalina de Lancaster em 1412, durante a menoridade do seu filho João II.

Sala da Galé

De seguida, temos a Sala das Pinhas, cuja construção foi ordenada por Henrique IV e deve o seu nome a uma peculiar decoração com 392 figuras que se assemelham a pinhas.

Sala das Pinhas

Ao lado desta sala, temos a Câmara Régia, onde as portas são neo-mudéjares e reproduzem as existentes no paço que Henrique IV no bairro de San Martín em Segóvia.

Câmara Régia

De seguida, temos a Sala de Reis, onde no friso estão representados os reis das Astúrias, Castela e Leão. A ordenação actual é por causa do projecto realizado por ordem de Filipe II.

Sala de Reis

Sala de Reis - Video by Lum&Nightmare

Posteriormente, temos a Sala do Cordão, cujo nome se deve ao cordão franciscano que enfeita as suas paredes e que, segundo a lenda segoviana, foi ordenado colocar por Afonso X, "El Sabio", como sinal de penitência pelo seu excessivo orgulho.

Sala do Cordão

A Capela situa-se logo a seguir. Foi aqui celebrada a missa da velada do casamento de Filipe II com Ana de Áustria. Nela encontra-se ainda o quadro da "Adoração dos Reis Magos" de Bartolomeu Carducho (1600) que foi salvo no incêndio de 1862.

Capela

Daqui saímos para um pátio, onde em baixo vemos um jardim magnífico.

Jardins

Daqui seguimos para a Sala de Armas, que fica situada por baixo da Torre de Homenagem e guarda uma coleção de armas de diferentes épocas.

Sala de Armas

Mais à frente, entramos no Museu da Real Escola da Artilharia, onde vemos as mais variadas armas, estudos, etc utilizadas na escola.

Entrada no Museu da Real Escola de Artilharia

Dentro do Alcázar, é possível ver o Pátio do Relógio.

Pátio do Relógio

E temos ainda o Pátio de Armas.
Pátio de Armas

Para além de todas as salas e do Museu, ainda é possível subir à Torre de Juan II. Não o fizemos, mas penso que vale a pena pela paisagem.

Catedral de Santa María

Catedral de Santa María

A catedral, também conhecida como a Dama das Catedrais, devido às suas dimensões e à sua elegância. Foi construída entre os séculos XVI e XVIII, estilo gótico com traços de renascentismo.

Entrada da Catedral

Não chegamos a entrar na catedral, mas é possível visitar. o bilhete é pago.

- Plaza Mayor

Plaza Mayor

Mesmo junto à Catedral, deparamo-nos com a Plaza Mayor. Aqui encontramos várias lojas, cafés e restaurantes.

- Aqueduto de Segóvia

É um aqueduto romano e um dos monumentos antigos mais importantes e mais bem preservados deixados na Península Ibérica pela civilização romana. É um dos símbolos mais importantes de Segóvia.

Aqueduto romano de Segóvia

Não conseguimos estacionar nesta zona para explorar melhor o aqueduto, pois simplesmente não havia nenhum lugar. Toda aquela zona estava cheia de gente.

Como Chegar
Jardins junto ao Alcázar de Segóvia

Do Porto - Seguir pela A1 até à saída 16 para convergir para a A25 em direção a Viseu, seguir até Vilar Formoso e seguir pela N322, passar a fronteira e seguir pela A-62 até à saída 244 em direção a E-803/Cáceres/A-66/A-50/Madrid/Salamanca(Sur)/CL-517/Vitigudino, de seguida seguir indicações para A-50/Madrid/E-803/A-66/Cáceres, seguir pela A-50 até à saída  24 para CL-507 em direção a Sanchidrián/San Pedro del Arroyo e seguir indicações até Segóvia.

De Lisboa - Seguir pela A1,  até à saída em direção a Abrantes/C.lo Branco/T.res Novas para a A23, até convergir com a A25 para Vilar Formoso e seguir pela N322, passar a fronteira e seguir pela A-62 até à saída 244 em direção a E-803/Cáceres/A-66/A-50/Madrid/Salamanca(Sur)/CL-517/Vitigudino, de seguida seguir indicações para A-50/Madrid/E-803/A-66/Cáceres, seguir pela A-50 até à saída   24 para CL-507 em direção a Sanchidrián/San Pedro del Arroyo e seguir indicações até Segóvia.

By Lum



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