quarta-feira, 18 de março de 2020

Catarina de Habsburgo, de Yolanda Scheuber



"Torquemada, 1507. Joana I de Castela dá à luz a sua sexta e última filha enquanto acompanha o caixão do seu amado esposo até Granada. Catarina está destinada a fazer flamejar a divisa dos Habsburgo em Portugal, mas ninguém poderia pressentir a trágica vida que o destino lhe tinha reservado.
Todo o seu existir foi agitado pelas contradições. Conheceu a pobreza mais extrema e a mais assombrosa riqueza; o feliz amor de um esposo apaixonado e o calvário das mortes dos seus nove filhos, mas nunca nada, nem ninguém, conseguiu vergar a sua fé inquebrantável, que a ajudou a superar as dores mais extremas com profunda e serena valentia.
Yolanda Scheuber, com o agradável estilo que a carateriza, traça aqui um magnífico relato, profundo e dilacerante, da mais nova das filhas da rainha, Joana I de Castela"

É o segundo livro que leio desta autora, que é uma grande admiradora confessa de D. Joana I de Castela e de suas filhas. Pelo que sei escreveu sobre todas, infelizmente em Portugal só lançaram Leonor de Habsburgo (que já li) e este, Catarina de Habsburgo. A escritora tem uma escrita muito romantizada, tanto que ao inicio, com tanta descrição e conversa romantizada, parece que o livro não passa dali. Mas depois de se entrar na narrativa, só se quer ler mais e mais.

Quanto ao livro propriamente dito, este começa por contar a vida de Joana I de Castela, antes de Catarina nascer. Devo dizer que achei que a vida de Catarina foi brutalmente injusta e penosa. A sua mãe teve um vida onde ninguém quis saber dos seus sentimentos. Já sabia que D. Filipe, seu marido, apesar de muito amado por ela, foi um terrível marido; mas nunca pensei que o pai, D. Fernando, o Católico, fosse tão mau. Nunca o admirei, pois achava que se tinha tanto amor a sua esposa D. Isabel a Católica, não necessitava de amantes, mas enfim... pelos vistos antigamente era normal. Mas fazer o que fez à sua filha, não tem perdão e nunca o imaginei um sedento de poder. Pois, pelos vistos era e, se já não admirava o homem, passei a detestar. O responsável pelo cativeiro e provações que a sua filha e neta passaram é culpa dele. 
Nunca imaginei que seria possível uma rainha e princesa fossem tratadas daquela maneira. Quando o seu irmão, Carlos, chegou à maioridade, tomou o trono de Espanha, e mesmo assim, não tirou a mãe do cativeiro. Acabou sim, uns anos mais tarde, casar Catarina com o rei de Portugal, e assim tira-la do cativeiro. Um cativeiro infeliz, só suportável pelo amor entre mãe e filha. Sofreu com a separação, mas foi feliz no casamento (a única coisa que penso que deva ter sido feliz). Viu todos os seus filhos morrerem, os seus irmãos e o seu marido. Ficou sozinha, como regente de seu neto, mas rapidamente abdicou, por pressão do governo. Apenas lhe restava Maria, sua sobrinha (filha de sua irmã Leonor e o rei D. Manuel I) que criou desde de criança e na qual narra, neste livro, toda a sua história. Mais uma vez sobreviveu a esta filha/sobrinha, vendo-a morrer nos seus braços. Não lhe sobreviveu muito mais. Resta-lhe o descanso de não ter vivido mais para ver morrer também o seu neto D. Sebastião.
Vale pena ler sobre a vida desta rainha, que tanto sofreu e que não é assim tão falada nem dada a merecida importância.

O livro e a série espanhola Carlos Rey Emperador

Guiomar Puerta como Catarina de Habsburgo em Carlos Rey Emperador

Na série, Catarina não aparece muito. No entanto, difere muito do livro (e acho que da realidade também) quando contribui para a revolta que queria a rainha D. Joana no trono e deposição do filho Carlos. Não aconteceu no livro, e não me parece de todo que tenha acontecido na realidade. E basicamente a história dela na série é mais enquanto está presa em Tordesilhas até partir para Portugal. Tem uma aparição, quando a D. Isabel de Portugal parte para Espanha.


By Lum

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