terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Padeira de Aljubarrota, de Maria João Lopo de Carvalho


"Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha-infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo."

Este livro foi uma agradável surpresa. Quando o comecei a ler, fiquei receosa de ser um pouco maçudo , pois o livro é enorme... mas não! O livro prendeu-me à leitura logo desde de início. Brites de Almeida foi uma melhor valente e que sofreu bastante por ser diferente: tinha corpo e força de homem, olhos pisqueiros, tinha 6 dedos em cada mão, em resumo, não era bonita. Desde de cedo viu-se ser chamada de Dama Pé de Cabra! Passou por várias provações, sendo acusada de bruxa. 
Adorei a forma como a autora ligou a vida de Brites com os acontecimentos históricos de Portugal. De como a ligou a rainha-infanta D. Beatriz, sendo o escudeiro Lopo a paixão em comum das duas.

Um aparte nesta história, não posso deixar de notar, que neste livro e no livro Tentação de D. Fernando (ver post aqui), que D. Leonor Teles é descrita sempre da mesma forma: maldosa, ambiciosa, intriguista e em que muito fez sofrer D. Fernando que era estupidamente apaixonado por ela. Tenho o livro Rosa Brava para ler que é sobre ela, e até estou curiosa para ver a descrição que fazem. No entanto, não posso deixar de achar que, apesar da maldade, que foi uma mulher inteligente e estratega.

Outro aparte nesta história, não posso deixar de sentir alguma "pena" de D. Beatriz. Parece-me ter sido apanhada no meio de uma teia, ainda tão novinha, não tendo possibilidade de se afirmar como rainha de Portugal. Não teve culpa das escolhas feitas pelos pais para a casar. Não é uma infanta muito falada na nossa história, mas historiadores dizem que D. Beatriz "Amava Portugal, mas Portugal esqueceu-a."

Um livro de leitura obrigatória que nos prende do início ao fim!

By Lum